Devaneios

Sexta-feira , 08 de Junho às 18h49

R espirei fundo. Tic, tac, tic tac. Maldito relógio. Minha mente vagava por outros cantos, que não aquele. As vozes pareciam distantes, como num pesadelo; eu iria acordar em breve. Tic tac, tic, tac. Não dava pra acreditar no que estava acontecendo, mas não imaginava estar ali sem que isso estivesse MESMO acontecendo. Chico Buarque cantarolava na minha mente (ou no que restara dela) “Rompi com o mundo, queimei meus navios / Me diz pra onde é que inda posso ir”, cala a boca, Chico. Eu sequer conseguia chorar: não restara coração naquele instante. “Se nós, nas travessuras das noites eternas / já confundimos tanto as nossas pernas / diz com que pernas devo seguir”; a vida segue, então? Não, não segue. O que eu deveria fazer agora? O que eu deveria falar? Tic, tac, tic, tac. Ele me olhava com aqueles olhos de quem não faria mal a um inseto, mas que devorava almas sem ao menos perceber. Deu-me um beijo na bochecha, como quem dissesse “não foi tão ruim assim”, mas foi, ele sabia disso: foi. “Se juntos já jogamos tudo fora / me conta agora como hei de partir”, nem precisei, ele já havia feito isso. Continuei ali, sendo um eu sem ele; sendo metade. “Te dei meus olhos para tomares conta / agora me conta como hei de partir” Cala a boca, Chico. Não precisei.


Escrito por Letícia Lemos




Cicatriz

Quinta-feira , 05 de Abril às 21h42

E ssa ferida que você deixou em mim quando partiu cicatrizou. Só que se eu te disser que ela ainda lateja em dias frios, você acreditaria? Acontece.

Sabe, eu sinto saudade. Desculpe, mas é verdade, eu sinto. Fico feliz porque não te amo mais, não te desejo mais. Mas, olha, saudade eu sinto sim.

Dá saudade do teu beijo, do seu abraço, do seu toque pela manha. Fazer o que? Dá saudade mesmo.

Daí vem gente me dizendo que não é possível sentir falta de alguém que já se foi há muito tempo. Que cicatriz doer de novo não existe, nunca sentiu isso não.

Mas veja só: quando você está feliz, e quer muito que alguém veja que você está assim só pra dar aquela sensaçãozinha de “poxa, ela me esqueceu”, significa que você tem essa ferida que lateja. 

Quando você não vai mandar nenhuma sms – não mesmo! -, e nem responderia se ele mandasse também, mas o motivo de você ficar triste à noite é o fato de que, pois é, ele realmente não mandou? É a ferida latejando. 

Então, olha só, entende que eu não te amo mais. Se você pedir pra voltar, não vou querer, não deixo, dispenso. Não tenho mais sentimento, pode ir embora.

Mas, sabe, lá no fundo, eu sei: saudade eu tenho sim.

 


Escrito por Letícia Lemos




Enjoei do amor

Quarta-feira , 07 de Março às 20h19

A h, sabe, as coisas têm estado tão difíceis hoje em dia. Você entende o que eu to falando, né? Amor. É, de novo. Eu sei que cansa, mas é um sentimento tão presente na minha vida. Até demais, eu diria. 

É muito chato falar de amor, até eu enjoei. Mas sabe quando o sentimento insiste em não deixar seu coração, e você simplesmente precisa escrever? Daí a gente escreve. Mesmo tendo medo de escrever. Medo de sentir. O amor é uma droga.

Quando a gente fala de amor, pensa naquela coisa linda que é estar apaixonado. De lindo não tem nada! Eu sinto a parte negra do amor. E até a parte mais iluminada é uma droga. Porque acaba, só por isso.

Tanto sentimento por aí, não é? Tem carinho, tem desejo, tem compaixão. E o que eu sinto tinha que ser logo isso? Tinha que ser amor? To cansada de amar. Não quero mais, deixo pra depois, outro dia. Amar dá um trabalhão! E falar de amor é muito chato. Coisa melosa, esse tal de amor.

O amor é sempre uma droga. Não to falando isso porque não sou correspondida, porque sou. Aliás, não ser correspondido e ficar triste é besteira. A gente vai aprendendo a deixar o que nos faz mal de lado. É sério! No início é bem difícil mesmo, mas no final a gente percebe que foi a melhor escolha. Tudo bem, é clichê, e eu também não sei fazer isso. 

Muitas pessoas já disseram que isso passa, essa revolta pelo amor. Disseram que as coisas dão certo depois de um tempo, e que eu vou acabar vendo como toda essa indignação é tola. Mas, quanto será, esse tempo? Talvez eu devesse simplesmente aceitar que pra passar por essa correnteza, é preciso remar.

E, por que não? Re-amar.

Mas o amor ainda é uma droga.

 


Escrito por Letícia Lemos




Carta à você

Quinta-feira , 16 de Fevereiro às 17h27

 

Q uerida,

Devo te contar que passei muitos minutos olhando para este papel, sem saber como começar, como escrever, O QUE escrever? Talvez seja um tanto desnecessário, mas mesmo assim eu digo.

Talvez eu devesse começar dizendo sobre o quanto eu sinto sua falta. Meu Deus, como eu sinto. Mas eu não vou voltar pra você, nunca mais vou voltar. Porque sou fraco.

Essa vida, meu amor, é pesada demais para suportar sem alguém do lado. Aprendi a viver contigo, mas hoje eu preciso ser sozinho. Talvez só assim eu realmente consiga aprender o que é isso, sabe? Viver.

Você me ensinou a olhar pro mundo com outra cabeça, outro coração. Você me ensinou a amar. Sou grato por isso, sempre serei. 

O que aconteceu com a gente, meu amor? Nenhum de nós sabe. Não que eu precise de uma resposta, não mais. Eu tenho sofrido bastante, mas eu sei que isso passa. Na verdade, tudo passa. E, se tudo passa, quem sabe um dia você passe por aqui.

Eu só espero, de verdade, que hoje você esteja feliz. Ainda que esteja nos braços de um outro qualquer, que é melhor. Melhor do que estar sofrendo como hoje eu estou, por saudades suas. Porque essa dor, minha pequena, eu não desejo para ninguém. Ninguém no mundo. Quanto mais, então, para você.

Peço apenas que viva bem. Viva com aquele teu sorriso no rosto, que te faz a mais linda dentre as mulheres. Peço que encontre alguém que te faça feliz, de uma forma que talvez eu nunca tenha te feito. Peço que nunca deixe de bater tuas asas mundo afora. Faça o que for melhor para você: cresça, desapareça, mas nunca se esqueça

De mim.

 


Escrito por Letícia Lemos




Não sei

Quarta-feira , 25 de Janeiro às 18h03


D escobri que não sei. 

Não sei quantas vezes eu julguei alguém por continuar insistindo em alguém que errou. Não sei o quanto eu aconselhava as pessoas a terminarem uma relação ruim e as achava patéticas quando não faziam isso. Não sei quantas vezes falei com alguém sobre o amor e realmente pensava saber alguma coisa. Eu não entendia.

Talvez eu realmente não soubesse o quanto isso é doloroso. Digo, o amor. 

Eu não sabia como era amar uma pessoa e logo se ver magoada por ela. Não sabia, principalmente, como agir quando isso acontecia. Uma ironia patética, onde você precisa de tempo para pensar, você precisa ser consolada, mas não quer que isso seja feito por mais ninguém que não seja – quem diria? – aquele que te magoou.

Nunca havia passado tanto tempo sofrendo com ciúmes, pensando no quanto teria uma vida vazia se perdesse aquele alguém. Eu nunca havia tido minha auto segurança tão abalada. Não, eu nunca havia passado por isso. 

O quanto eu sou forte, dá pra ver. Fazia muito tempo que eu não chorava, havia muito tempo que algo não me abalava tanto. Hoje, eu passo noites em claro por besteira.

Vi minha vida virar de cabeça pra baixo por causa de um sentimento que eu pensava já conhecer, pensava que saberia lidar quando ele chegasse de novo. É realmente estranho quando você percebe que cada amor é único ao seu modo.

Aqueles conselhos que eu tanto ofereci, que eu sabia que funcionariam, não aplico em minha vida. Por que? Porque eu amo. E sei o quanto isso é complicado demais para conselhos. Complicado demais para que se tenha algo a dizer. Eu não entendo o que antes eu pensava entender. Nunca soube o que era, que forma tinha, porque doía.

Amar deve ser isso: não saber. Eu nunca soube.

E talvez ainda não saiba.


Escrito por Letícia Lemos




Vazia

Quinta-feira , 12 de Janeiro às 23h01

T u acordou meio sozinha hoje, que eu sei. Olhou pro lado e não viu ninguém, deixou teus membros caírem flácidos na cama vazia. Estava só. Mais só do que merecia.

Prendeu seus cabelos enrolados em um rabo-de-cavalo mal feito, daquele jeito que ele odeia. Só pra provocar. Saiu destemida na rua, com uma postura forte que desabou no primeiro banco da primeira praça. Não era você; jazia fraca.

Garota, ouve bem o que eu tenho pra te dizer: chora.

Essa dor aí, você sabe que não é nem de longe a maior que já teve. Mas ainda assim dói, não é? Machuca fundo. Então faz assim: deixa ser.

Assume que ta doendo, ta tudo bem. Sinta a ferida, e chore. Agarre as cobertas com a dor que por muito você escondeu dentro de ti: deixa sair. 

Depois, junta tudo e manda embora.

Escuta só: ele não merece mais um pensamento seu sequer. Você sabe, eu sei. Agora assume e deixa ir. 

Tu amou por tempo demais. Não achou mesmo que fosse ser pra sempre, achou? Tudo bem, não se sinta mal por isso. Passou. Deixe ir.

Pense que é melhor agora, tu sozinha, do que tão mal acompanhada. Clichê, mas real. No final, dá sempre na mesma. Só aprende que amar nunca dá certo.

O amor nunca dá certo. 

Mas não é por isso que tu tem que desistir, garota. Ainda é jovem demais pra isso. Vive teus romances. Vive tua vida. Segue recuperando tuas forças, sonhando além do que este rapaz poderia te proporcionar. Ele nunca foi bom o bastante pra você.

Olha no espelho e vê quem é a única pessoa que pode realmente te fazer feliz.

Agora vai.

 


Escrito por Letícia Lemos




Perda

Sexta-feira , 23 de Dezembro às 16h41

V ocê foi a minha maior perda. Eu queria acreditar que minha vida seguiria, com ou sem você, mas isso não era verdade. Cada segundo do meu dia era dedicado a pensamentos ao seu respeito e, ai meu Deus, eu via você em todos os lugares.

A saudade, eu entendi naquele momento, era suportável quando ficávamos longe um do outro. Eu sabia que te veria amanhã – ou quem sabe depois, mas aconteceria. A perda me mostrou que a saudade tem ainda mais a ver com dor do que eu imaginava.

É agonizar a cada segundo que não estás presente; é desejar um consolo que ninguém jamais poderia dar.  É precisar do seu toque, da sua presença; e mais ainda, saber que eles jamais serão meus de novo. É seguir a vida sem quem antes fazia com que esta fosse perfeita; é até mesmo te ver, mas sem poder tocá-lo, sustentando a dor com um sorriso distante de quem não se importa. É experimentar novos beijos, procurando em outros o que eu só via em você. É mentir para mim mesma, saber, e ter que suportar.

Enquanto meu sofrimento vinha à pele e ao coração, o seu sequer parecia existir. Sua felicidade era visível, seu sorriso jamais se dissolvia: sua vida seguia como se eu jamais estivesse nela. Sua indiferença – se fingida, fez-lo muito bem - machucava ainda mais do que deveria. Tão egoísta. 

Fui obrigada a continuar minha vida, sem qualquer resquício de esperança de que ela ainda existia por completo. Mas continuei, e hoje vivo.

Vivo agora, porque deixei de viver há muito tempo por alguém que tampouco se importava. Vivo como se o ontem não tivesse existido, e vivo bem. 

Eu não sou a mesma de antes – e eu realmente não queria que fosse. Sou um eu novo, melhor ou não. Isso eu descubro com o tempo.

Mas eu nunca pude negar, e quem perguntar, certamente vai ouvir a verdade: você foi, sim, uma enorme perda. 

Perda de tempo.

 


Escrito por Letícia Lemos




Siga

Segunda-feira , 05 de Dezembro às 18h52

E i, garota. Não fique assim. Sorria, você é maior que tudo isso. Você está com tanto medo assim de estar servindo apenas de curativo? Ah, garota, não seja tão boba. Não tem nada melhor que um curativo. A gente sempre sente menos dor quando está com um. 

Te entendo ainda, menina, eu sempre entendo. O pior do curativo é que uma hora a gente tem que se livrar dele. Quando a ferida sara, sabe? E aí dói. 

Mas, minha querida, seja forte. Erga sua cabeça e siga em frente. Eu sei que é difícil, mas eu juro que isso passa. 

Você é uma pessoa boa, e é bem mais forte do que pensa. A gente nunca sabe o quanto é forte até que a gente precise ser. Hoje você precisa. 

Eu sei que tem vezes que a gente perdoa a pessoa só porque a falta que ela faz é ainda maior que o erro que ela cometeu, mas pensa de novo. Aprende a se perdoar primeiro. E vai vivendo. Porque não adianta você pedir pela volta de alguém se não consegue perdoar seus próprios erros. Garota, seu maior erro foi ter amado.

Não se culpa por isso não, a culpa não foi sua. Você foi feliz enquanto o tempo permitiu isso. E agora acabou.

Agora, garota, agora você segue. Sem cabeça, sem rumo, sem esperança. Vá pegando tudo isso no caminho. 

Mas vai seguindo.

 


Escrito por Letícia Lemos




Você me pertence

Domingo , 13 de Novembro às 13h53

V em pra cá, vem ser meu. Vem, e esquece de tudo que passou, que não foi suficiente. Vem aqui, só pra gente tentar de novo. 

Vamos pelo zero, caminhar pelas mesmas esquinas, tomar as mesmas bebidas, com o calor de sempre. Aquele calor que só a gente tem, e você sabe. 

Quero levantar pela manhã e sentir o teu perfume, saber que você ta do meu lado, enroscado em meus lençóis. E me acalmar. Quero ver teu sorriso, ouvir você gritar meu nome e silenciar suas lágrimas. Quero esquecer de tudo que não nos fez bem. 

Meu orgulho eu to agora jogando fora, to aqui fazendo isso por você. Antes o orgulho do que teu amor, que me machuca, mas me renova. Vem aqui, que a gente redescobre aquela paixão que ainda não jaz. A gente briga, se destrói, desaba e cai, mas a gente levanta. A gente sempre levanta.

Eu vivi em um poço de escuridão, eu era o pedaço da treva. Mas você faz brilhar o melhor em mim, que eu só sou contigo. Então volta. 

Faz renascer aquela chama que a gente é quando ta junto, aquela força invencível que nos ronda. Não fica tão distante, não. Seu lugar não é aí, então sai

Você me pertence, a gente é um só. É ainda mais forte do que eu pensava.  Aquele furacão de sentimentos, hoje eu sei que é amor. E a gente não tem como fugir disso.

 


Escrito por Letícia Lemos




Pedido

Sexta-feira , 28 de Outubro às 13h59

V ocê não precisa saber o quanto estou destruída, o quanto minha alma tem clamado para que ele volte pra mim. Basta que você saiba que a culpa não é sua, e eu nunca pensei que fosse. 

Dói porque eu sei que, por mais que ele não estivesse com você, jamais voltaria pra mim. Não consigo fazer com que ele se sinta bem ao meu lado, ele não consegue me amar mais. Isso é ainda mais doloroso do que soa. 

Estou mal, fingindo sorrisos, seguindo como se nada tivesse acontecido. Tentando enganar os outros, tentando me enganar, dizendo que a vida pode continuar. Estou tentando me convencer disso ainda. 

Não adianta chorar todos os dias para que ele volte – não adianta, eu sei que não. Então eu venho até você, pedir em meu mais fraco estado, que realize meu único pedido: faça-o se sentir bem. Não faça isso por mim, faça por ele. 

Abrace-o quando ele chegar, lembre-o sempre do quanto ele significa pra você. Beije-o de surpresa, principalmente quando ele estiver com raiva: acalme-o. Finja acreditar quando ele diz que não está com ciúmes de você, e lembre-o de novo o quanto ele é importante na sua vida. Cuide de sua tristeza quando ele aparentá-la, por mais que insista que não aconteceu nada: provavelmente aconteceu. 

E o mais importante de tudo, por favor, ame-o com tudo que você tem. Faça com que ele seja muito feliz: termine a tarefa em que eu fracassei.É só o que eu te peço, eu preciso que ele esteja bem. Algum de nós tem que estar.

Você fará isso? Prometa.

 


Escrito por Letícia Lemos




Desculpas

Segunda-feira , 03 de Outubro às 21h08

M e desculpa se eu não soube te valorizar, não soube te querer, não soube como te amar.

Eu nunca quis te fazer sofrer, fico feliz porque você está bem agora. Mesmo longe, mesmo com outra: você está feliz.

Eu te fiz mal por tempo demais, eu queria não ter feito isso. Mas, ah, o tempo não vai voltar, não estou pedindo para que volte... Ta tudo melhor agora, você ta longe daquela que só te machucou, e eu to longe daquele que mais me amou em toda vida.

Eu nunca valorizei, eu nunca fiz por merecer. Então, não vou pedir pra que você fique, você tem mesmo é de ir.

Vai, vai ser feliz. Só me desculpa, só isso. 

 


Escrito por Letícia Lemos




Vem

Terça-feira , 13 de Setembro às 21h27

V em cá, deixa eu fingir que te esqueci. Deixa eu te enganar, dizendo que não senti sua falta, fingindo que eu nem lembrei de você. Deixa eu me enganar. Vem do meu lado pra falar que você se divertiu, que estava sendo feliz; vem assistir eu esconder meu ciúme. Me conta daquela garota lá, que você chegou a encontrar, me conta o que você sentiu quando tava com ela. Vem e me explica por que é que você não me ligou. Ou melhor, não explica não, deixa assim. Deixa estar. Vem aqui e deixa eu te dizer o quanto eu fui feliz também, me deixa mentir. Vem, mas vem logo. E quando você vier, senta do meu lado. Ou passa direto, faz o que você achar melhor, segue seu coração. Se precisar, me ignora. Mas vem. Não deixa de vir não.

 


Escrito por Letícia Lemos




Pena

Quarta-feira , 31 de Agosto às 15h21

E sses dias tenho sentido pena de mim. Pena do que eu faço, do que eu sinto; pena de ser eu. 

Passei a encarar toda minha existência como um desperdício de espaço: eu não pertenço a este lugar. To vendo o mundo de uma forma meio boba, como se tudo estivesse muito errado, como se aquela cama não fosse minha, mas eu sei que é. Só não me encaixo mais. 

To vendo também que aquele garoto bonito que me procurou no sábado já não tem interesse em mim. Por quê? Sei lá, por ser eu. Deixei de lado minha auto-confiança, eu não mereço ela não, sabe? Eu to aqui onde eu não devia estar, ninguém vai gostar de mim. Eu não me situo. 

E, ah, parece fácil pra você pedir pra que eu esqueça meus problemas, mas não vem com essa não, fica longe de mim. Prefiro deixar meus problemas bem aqui, na cabeça; não to querendo esquecer nada. 

Porque eu não pretendo fugir deles. Eu os enfrento. Mesmo sabendo que não tem lugar pra mim no mundo, eu o enfrento. Bem assim, de cabeça erguida.  Mesmo quando nem cabeça eu tenho mais. 

Só pra continuar tendo pena de mim. 

 


Escrito por Letícia Lemos




(Re)encontro

Segunda-feira , 08 de Agosto às 16h14

F azia muito tempo que não nos falávamos, e eu estava muito bem na minha mais falsa imitação de quem estava bem. Eu parecia meio culta, como quem preferia estar sozinha, como quem via beleza na solidão, e talvez visse.

Não é como se alguém percebesse, e eu até gostava disso. Estava me acostumando a ficar sem você, com aquele vazio que já fazia parte de mim. Doeu por tanto tempo que me acostumei. Me acostumei com a sua ausência. Embora você continuasse ali, como um fantasma.

Era pra você que eu contava a história do meu mais novo livro, ou pra quem eu cantava aquela música que tanto nos fazia bem. Eu jantava com um prato a mais na mesa: aquele ali era seu.

Eu sabia que você não viria, mas meu coração dizia o contrário. "Ele ta chegando", mentia. E eu, na minha mais nova forma de ingenuidade, acreditava.

Deve ter sido por isso que achei meio estranho te ver de novo. Poderia acreditar que era só o seu fantasma me atormentando mais uma vez...mas dessa vez eu sabia que era real. Estava a praticamente um braço de distância; eu poderia te tocar.

Você parecia ainda mais surpreso do que eu. Por quanto tempo meus fantasmas tinham lhe atormentado? Talvez eu nunca descobrisse.

Em algum canto, alguém falou. Não é como se eu estivesse prestando muita atenção, mas parecia ser uma piada. Eu comecei a rir. Não sei ao certo porquê, mas eu ria. E você também.

Então, nós rimos. Rimos como não fazíamos há muito tempo, de uma forma que eu sequer lembrava. Eu já não tinha ideia do quanto aquilo era bom.  Naquele momento, percebi o quanto sentia falta daquela risada. Percebi que fazia meses que seu fantasma estava comigo, mas ele não fazia muito mais do que atormentar minha vida com a ideia de sua presença. Com aquele seu espectro agonizante que não permitia ser tocado.

A realidade era muito melhor.

Eu podia sentir um muro de mágoas e acontecimentos que impedia que pudéssemos simplesmente largar tudo aquilo e corrermos um para o outro. Era algo simplesmente grande, e existia há um bom tempo. Tempo suficiente. Tempo demais. Estava bem claro que havia ainda uma barreira entre nós. Mas o que tínhamos era verdadeiro demais: quebrava barreiras.

Não sabia ao certo o que aconteceria depois. Talvez não mudasse nada - as chances eram grandes -, mas nenhum de nós estava pensando nisso. Certamente poderíamos resolver aquilo mais tarde. Aquele sentimento era recíproco, dava pra ver.

Já não sabia mais se era amor: isso já devia ter se extinguido. Mas continuava forte. Naquele momento, simplesmente continuamos rindo. Não da piada, que nem era tão engraçada assim.

Ríamos por puro egoísmo, porque tínhamos saudade daquilo.

Só por isso.


Escrito por Letícia Lemos




T a tudo legal. É, legal. To bem, to em pé, to respirando. Isso é legal, não é? Então eu to legal. Mas ainda me sinto insegura, completamente insegura; rebaixada e inferior. E continuo sorrindo, como se ainda fosse forte, mas não sou. 


Não preciso de alguém que venha e pergunte o que eu tenho. Não preciso que me façam perguntas, ou que queiram me ajudar. Só preciso que estejam ali. Às vezes estão. Mas pouco adianta. 

Eles não veem a lágrima no meu sorriso. Eles veem só o sorriso. E ficam tão bem, e riem tão bem. Se sentem bem. Sou pouco demais pra estragar isso, não quero estragar.

Eu fico na minha, sorrindo como se fosse forte sempre, para sempre. Mas eu só busco alguém pra poder falar essas coisas. Alguém que não iria querer dar conselhos. Eu penso nos meus amigos. Mas não... não quero preocupá-los. 

Não quero parecer mal. Pareço triste como se chorasse todos os dias. Não, não choro. Não chorei até hoje. Na verdade, eu estou muito bem. Ta tudo muito bem.Só to colocando pra fora o que ta dentro de mim há muito tempo. Ta sempre ali, até nos momentos bons. Porque esses passam. E a sensação fica.

Mas eu to legal. Ta tudo legal.

 


Escrito por Letícia Lemos




Em frente

Domingo , 03 de Julho às 16h50

Hoje o never say I love you completa um ano de existência. Parabéns para o blog! Espero que dure ainda mais :D

 

A s pessoas vêm a mim perguntar como não estou sofrendo, como não me machuco quando te vejo com outra. Como? Parece tão difícil e, eu sei, talvez seja. Mas existe alguém que pode controlar tudo que há em mim. Depois de você, sou eu.

Evito pensar no que poderia estar sendo, no que deixou de ser, no quanto não gosta de mim. Isso só me machucaria. Apenas isso: eu evito pensar. Não penso, para não sentir. Mas à noite, quando minha cabeça toca o travesseiro, é quase inevitável. À minha mente, tudo que vem é a ideia de como seria se tudo desse certo. Então, eu adormeço só com a ideia. Acordo sabendo que não passou de uma noite, não passou de mais um sonho em que eu estive com você. Ao acordar, sigo. 

Não gosto de ter que constatar o sentimento (ou a falta dele) que você alimenta por mim. Nunca gostei. Eu apenas não posso parar, não quero ver minha vida passando pela janela enquanto você vive a sua. Tenho que lhe encarar todos os dias. O quanto isso doeria se eu parasse pra pensar? Provavelmente muito. 

Às vezes, estar do seu lado me incomoda. Às vezes, só o que eu quero é estar lá. Mas isso eu controlo. Quando estar ali é dificil pra mim, eu saio. Quando não é, eu fico. Não por você. Só porque quero ficar. E eu sigo te amando. Às vezes mais, às vezes menos, às vezes quase inexistente. Sigo te amando. Mas continuo seguindo.


Escrito por Letícia Lemos




Frio

Domingo , 12 de Junho às 14h06

Feliz dia dos namorados pra você que tem um namorado, um amor e alguém pra dizer que te ama. Três coisas que eu não conheço.

I gnorância. Implicância. Grosseria. É disso que vivemos agora. Eu estive tentando entender por muito tempo o porquê disso.

Era você ali do meu lado quando eu estava mal; era o seu braço ao redor de mim quando eu reclamava do frio; eram suas mãos sobre as minhas em qualquer hora. O que foi que aconteceu com tudo isso? Para onde você foi? Há muito já não vejo seu olhar encontrar o meu. Quanto tempo faz que não fala comigo em um tom doce?

Eu não entendo. Você sabia o que eu estava sentindo por você, não sabia? E então fugiu. Eu ainda não sei quem falou. Não que isso importe agora, não faz mais sentido buscar. Sua grosseria tem me feito muito mal.

Aquela garota ali? Ela quebrou mil corações. Fez cada um em pedaços e riu na cara deles. Eu entenderia se você tivesse raiva dela. E você não tem. Mas por que tem tanta raiva de mim? Isso talvez eu jamais descubra. Foi só por que você ficou sabendo que eu te queria? Eu não fiz nada demais. O meu único erro foi amar você.


Escrito por Letícia Lemos




Eu te amo

Quinta-feira , 02 de Junho às 21h35

Ai, ai. E aquele drama pré 12 de Junho? Dia dos namorados, pare de me deprimir.

E u te amo, e como amo. Com todas as imperfeições, pois são estas que lhe constroem, estas que lhe tornam quem és: aquele que amo. Aquele que desejo com todo meu íntimo. Quero ser para ti tudo aquilo que significa em minha vida, e como quero.  

Em meus sonhos, enxergo nós dois, eu sendo a razão do seu sorriso, você sendo a razão do meu. Nós dois juntos, sendo nada mais do que apenas nós dois, eu sendo amada como talvez jamais seja. Em meus sonhos, é uma pena.

Anseio pelo dia em que precisará de alguém ao seu lado, em que precisará de mim. Porque é quando eu estarei lá, sendo quem você espera que eu seja. Quem você quiser. Eu só precisaria estar lá. Porque  não, eu não consigo pensar em  nenhum lugar que eu deseje tanto ficar, senão ao teu lado.

E quando você se vai, por todo minuto longe de você eu choro. Choro com a ideia de que talvez não volte, choro de saudade; choro de tristeza por ter ido, de raiva por um dia ter me deixado. Mas quando você volta, eu jogo tudo fora. Corro pros teus braços, em meu mais indefeso estado. Porque eu te amo, e como amo.


Escrito por Letícia Lemos




Nostálgico

Terça-feira , 03 de Maio às 14h42

A mo-te, por isso me odeio. Odeio prosseguir gostando de alguém que me faz mal sem querer. Que não sabe o quanto sofro. Coração atrasado, deixa pra registrar apenas o que deseja. E ele não quer te ver partir. E você não vai, já foi. Mas do que isso adianta? O que passou, não passou. Não onde importa: ali.

Não se trata de você, ou muito menos de mim. É algo mais profundo... somos nós. Muito além do que considero certo, muito além. Nego para mim o que meu coração já considera resolvido: eu ainda te amo. Mas, por negar, não penso; não sinto. Não dói. Porque a dor é aceitação do sofrimento, e eu não aceito.

Destruo-me ao poucos, pois meu corpo reage à mínima menção de um nome, que não é só seu. Destruo-me por não deixar que um sentimento tão forte apodere-se de meu corpo, não de novo. Destruo-me. Ainda assim, reconforto-me sabendo que não és único, ainda que tudo em mim diga que é.

Rapazes glorificam-me, correndo atrás de uma mulher cujo coração não existe. Coração perdido, fora-se há muito. Fora levado contigo, onde quer que esteja agora. O mundo prestigia-me com seus agrados, mas não me é suficiente. Porque eu nunca quis o mundo. Eu só lhe queria.


Escrito por Letícia Lemos




Desculpas

Quinta-feira , 14 de Abril às 18h58

Eu realmente sinto muito. Também gostaria de escolher por quem me apaixonar.

U m carinho absurdo, e umas mãos acolhedoras. Dono de uma simpatia e um sorriso que, nossa!, como enlouquecia. Sua presença causava tumulto: quantas garotas queriam te ter? Só eu tinha.

Estava ao meu lado quando eu precisava, e quando não precisava também. Era exatamente tudo que qualquer uma iria querer, e era em um só momento. E me queria. Um coração voltado somente para mim, um sorriso que se abria à menção de meu nome. E eu não conseguia sentir nada.

A perfeição despejada em meus pés, dando-me um valor que sequer pensava que eu merecia. E eu a chutava com dor. Gostaria tanto de poder te amar. Não amo. Eu queria poder olhar bem dentro dos seus olhos e descobrir que estava sentindo algo realmente forte por você; mas não estava.

E por que não? Parecia tudo tão perfeito. Era alguém ali, me proporcionando tudo que um dia eu sonhei. E eu não queria. Me sorria com leveza, e eu podia ver o sentimento que eu nunca senti por você em seus olhos. Não conseguia entender, não fazia sentido. Tudo que eu peço agora é que me desculpe. Você sempre foi tudo. E ainda não parecia suficiente.

 


Escrito por Letícia Lemos




Eu

Segunda-feira , 04 de Abril às 20h15

Se você não precisasse mentir pra ninguém sobre quem é, seria diferente?

S ensações, tão tolas, que eu ainda minto

Segredos por muito jamais revelados

Uma vida de mil e um labirintos

Percorridos por pés já cansados

 

O que sou, mais ainda, o que quero

Uma pessoa confusa, perdida na vida

Ainda mais, e não exagero

Sou a máscara de uma alma ferida

 

Não ferida por estar acabada

Tampouco triste, vale destacar

É apenas o resultado de tentativas frustradas

De um dia tentar me adaptar

 

Mais normal do que deveria,

De uma forma que me falta o ar

Soa como um terrível dia

Do qual ainda não pude acordar

 

Mas não tento e não procuro

Apagar nenhuma cicatriz

Hoje, tudo o que mais quero

É apenas ser feliz

 


Escrito por Letícia Lemos




Quase platônico

Terça-feira , 15 de Março às 16h19

Porque a gente precisa de alguém, e talvez esse alguém também precise da gente. Mas talvez nunca iremos saber, em razão de que apenas a ideia de um dia estarmos juntos soa absurda. Um amor quase platônico. Por causa dos outros.

E la tinha os cabelos curtos, e uns olhos azuis que ninguém nunca tinha reparado. Uma mente brilhante, ofuscada pela rejeição da sociedade. Todavia ela não se importava, contanto que o tivesse. Não ao seu lado, ele nunca esteve lá. Mas em seus pensamentos, dali nunca partira. Ele não era popular, mas tinha muita gente ao seu lado. Mais do que precisava. Mais do que queria. Não tinha nada na cabeça, evitava pensar. Isso lhe doía. Ele tinha tudo, tudo que os outros queriam que ele tivesse. Infelizmente, era vazio onde mais importava. Tinha um coração enorme, mas ninguém nunca havia notado. As pessoas ao seu lado nunca lhe enxergaram de verdade. Só ela. Ela estava muito longe, mas nunca lhe vira tão bem. A alma dele clamava por um socorro que todas aquelas pessoas a sua volta nunca entenderiam. Talvez ele só precisasse de alguém. Alguém como ela. Não mais. 


Escrito por Letícia Lemos




P or quanto tempo eu estive só? Por quanto tempo eu fiquei mal esperando que você voltasse? Por quanto tempo eu sofri por alguém que não valia à pena? Você contou quanto tempo? Eu não tive tempo pra contar. Eu estava chorando.  

Não chorei porque a pressão foi grande, não chorei porque sou emocionalmente frágil. Por que é que você assimila lágrimas à fragilidade? Por que é que você acha que sôo tão fraca quando abro meu coração para dizer essas coisas? Para mim, tem que ser mais forte do que muitos guerreiros para dizer o que realmente se passa por dentro. Porque é tão íntimo. E você fala, você se expõe. E você é forte por isso.

É isso que estou fazendo agora: me expondo. Mais ainda, estou admitindo. Admitindo um erro, porque é isso que devemos fazer. Você foi um parágrafo errado na minha história. Por isso, e não só por isso, eu desisti. Não desisti por não ter capacidade, tampouco por fraqueza. Fui forte enquanto isso me fez bem.

Já não vale mais à pena, por que valeria? Eu desisto de tudo agora. Do meu passado, do meu futuro; do que éramos e do que talvez fôssemos. Eu desisto de nós, ainda que eu saiba muito bem que ainda existe esperança nessa alma frustrada. Porque eu lembro muito bem. Você tinha dito "para sempre".


Escrito por Letícia Lemos




Distância

Segunda-feira , 07 de Fevereiro às 17h38

Para aqueles que sofrem com a distância, e não entendem como os outros, tão perto daquele que você deseja, não valorizam a risada ou o olhar deste. Sim, aquela risada que você gostaria de ouvir, aquele olhar com que você sonha todas as noites. Distância.

 

Um olhar, e este como brilha!

Não reconhecido em seu enorme valor

Guarda em si surpreendente maravilha

Como o bater leve das asas de um beija-flor

 

O que eu luto bravamente para obter

Foi lhe dado, sem precisares pedir

Tens de dia e até o anoitecer

Tudo aquilo que eu sempre quis

 

Tens os olhos, querido, e a presença

Tens o sorriso e a risada daquele que quero

Ages, porém, com tamanha indiferença!

Não sabe o quanto eu o desconsidero

 

Não entenderá meu sofrimento

Até que a distância separe-lhe da tua amada

Portanto, perdoe-me tamanho assanhamento

Sou somente uma pobre apaixonada

 

Quero a presença, hei de tê-la

Valorizando-a em seu imenso esplendor

E assim como no alto, o brilho de uma estrela

Brilharei em ti, meu amor 

(Letícia Lemos)


Escrito por Letícia Lemos




Saudade

Sexta-feira , 24 de Dezembro às 17h32

 

D urante muito tempo eu tentei me enganar, mentir para mim que o que eu sentia era saudade do que eu significava pra você, saudade de como você me tratava, do que sentia por mim. Tanto tentei que acreditei.

Mas de nada adianta mentir: a verdade sempre vem à tona. Agora, vou ser sincera, nem que isso seja a última coisa que eu faça, que eu diga: eu sinto a sua falta, e MUITO. Não é algo passageiro, é real. Me consome a cada dia mais. E ontem, eu chorei. Soa estranho se considerarmos que faz meses que não nos falamos, mas valeu por todo esse tempo.

Porque eu sempre escrevi sobre lágrimas que perfuram a alma em seu ponto mais íntimo, mas – que hipócrita! Eu nunca tinha sentido isso. Então senti. E mereci, mereci cada uma das lágrimas que derramei, por tudo que já te fiz passar, pelo tanto que já te fiz sofrer, mereci. Por isso, então, sinta-se vingado: doeu mais do que qualquer outra coisa que eu já tenha lhe feito.

Eu queria poder te pedir desculpas, mas sei que isso não basta. Você não vai voltar, as coisas não vão mudar, eu sei que não. Acho até – e por que isso me dói tanto? – que você sequer sente minha falta, e eu? Não tenho coragem para admitir pra mim mesma que sinto a sua.

Queria poder te mostrar isso que estou escrevendo, te contar, com riqueza de detalhes, cada uma dessas sensações agonizantes que venho sentido, mas não. Não farei isso: eu tenho medo. Medo da sua reação, de acabar me humilhando ao fazer isso... Eu não sabia o quanto eu era covarde. Agora sei. Peço desculpas por não ter sido boa o bastante enquanto podia.

Você se lembra de quando eu terminei com meu namorado que você tanto detestava? Sabe que eu fiquei muito mal: nunca tinha amado alguém como o amei, nunca havia sentido por uma pessoa o que senti por ele. Espero que você se lembre disso tão perfeitamente quanto eu. Hoje, porém, agora que vocês dois se foram, tudo o que me resta são lembranças.

Penso nele e sinto saudades do que éramos – como eu o queria de volta! Mas e em você? Penso em você e sofro: me dói porque eu não sinto falta do que éramos.  Porque não éramos nada. Me dói porque do que eu realmente sinto falta, é do que poderíamos ter sido e não fomos por minha culpa.

 


Escrito por Letícia Lemos




Perdão

Segunda-feira , 29 de Novembro às 16h10

29/11: Passarei um tempo sem postar pra me dedicar à outras coisas. Deixo aqui um layout novo, ainda com alguns erros, e um texto que sabe-se lá até quando ficará em primeiro na página.

N ão me olhe assim. Você sabe muito bem o que fez, muito bem o motivo de tudo isso estar acontecendo. Sabe que toda minha raiva tem motivo, tudo aquilo que sinto agora tem razão. Você sabia que era errado, e mesmo assim em momento algum parou para pensar o que eu iria achar dessa sua atitude. Agora, com os mesmos lábios que tocou outra, vem me pedindo perdão.

Não, eu não posso fazer isso. Ainda que eu queira, com toda a minha alma, deixar tudo de lado e te abraçar, não o farei. Sou a pessoa que mais quer esbanjar um sorriso sincero contigo mais uma vez, mas isso já não é possível. Eu nunca quis que fosse assim.

A cena descrita não só por você, mas por todos os outros presentes, ainda não chega à minha mente. Não me culpe por isso. Sou ingênua demais para crer que esta pessoa, agora à minha frente, cometeu um ato tão desprezível.

Eu não quero ter que raciocinar com que pernas você teve coragem de chegar aqui, e muito menos com que palavras me contou a situação. Nada disso te torna mais homem diante de sua atitude.

E ainda que eu não queira pensar isso, a possibilidade de que tudo que você me disse fora em vão me vem à cabeça incansavelmente. Frases e citações sobre um amor jamais sentido.

Mas eu não poderia dizer que não te amo. Pois amo sim. Amo com todo o meu corpo, toda a minha mente, com toda batida de meu coração. E é uma pena que você não tenha valorizado tudo isso. Não deixei de te amar, mas ainda sim te quero bem longe daqui, independente do que pensem disso, independente do que seja certo. Só quero que vá embora e que não volte. Não tão cedo.

E, por favor, não me venha com mais um pedido de desculpas. Eu já ouvi o suficiente. Sei bem que muitas pessoas dizem que quem ama perdoa. Contudo, isso não significa que tem que ser sempre assim. Antes de te amar, eu amo a mim mesma.

 

 


Escrito por Letícia Lemos




Anônimos

Terça-feira , 16 de Novembro às 20h15

Olhe-me nos olhos, se conseguir

Diga tudo aquilo que está a me escrever

Infantilidade sua me agredir

Quando não me dá chances de responder


É realmente medo que você sente?

Medo de se indentificar?

Faça-me uma crítica decente

Mas na minha cara, se não estou a exagerar


Diga quem és, ainda não é tarde

Não deixe isso tão clichê

Torna-se infinitamente covarde

Ao ocultar quem realmente é você

(Letícia Lemos) :)


Escrito por Letícia Lemos




Dor

Quarta-feira , 03 de Novembro às 21h02

O  uço um barulho de vidro quebrando. Um barulho agudo e estrondoso, embora distante. Meu coração.

Os cacos caem vagarosamente, espalhando-se e cortando tudo em volta. A agonia percorre meu corpo como fogo, e tudo agora parece irrelevante.

A música continua a tocar alta e animada, mas eu não consigo ouvi-la. Várias pessoas estão à minha volta, dançando e se divertindo, provavelmente vivenciando uma noite alegre e maravilhosa. Embora pareça egocêntrico de minha parte, somente a ideia de outras pessoas estarem felizes neste momento me corrói a alma. Tanta gente do meu lado, mas eu nunca me senti tão sozinha... J

á não adianta mais bancar a forte. Porque não sou. Involuntariamente, lágrimas começam a escorrer de meus olhos e, pela primeira vez em muito tempo, não tentei segurá-las. Dor de cabeça; vontade incontrolável de gritar, ainda que ninguém possa ouvir. Sintomas de um coração partido.

Cada membro do meu corpo parece estar sendo violado. Tudo em mim dói. As risadas ao fundo parecem ser deboches à minha situação.

Sinto minha maquiagem borrar: algumas horas de vaidade jogadas fora. Mas nada daquilo parecia importar. Meu mundo, tudo aquilo que me construía e me mantinha viva, provara de uma vez por todas que eu já não fazia parte de sua vida. E, mesmo que eu já soubesse daquilo, em meu íntimo eu ainda tinha esperança de que as coisas voltassem a ser como antes. Do jeito que deveria ser. Do meu jeito.

Tudo que eu queria agora era sair correndo, ir embora. Para que ele sinta minha falta, saiba que me perdeu. Mas isso é mentira. Sempre serei dele.

Ele faz as coisas esperando que eu sinta em meu coração a consequencia de seus atos, só porque sabe que vou sentir. Como sou tola. Eu deveria saber que não importa quantas bocas eu beije: elas jamais vão preencher o vazio do meu coração.


Escrito por Letícia Lemos




Traição

Segunda-feira , 18 de Outubro às 20h17

 

Repostagem de um dos meus textos

 

A imagem que vejo refletida no vidro gelado me impressiona. Não... Ela me assusta. Passo as mãos em meu rosto, talvez certificando-me de que aquela realmente era eu. Para minha eterna decepção, era sim.

Meus olhos possuíam um brilho satisfeito, como se eu realmente me orgulhasse do que tivesse acontecido. Meu costumeiro rosto rosado tinha um tom pálido e assustado. Não era para menos, é claro, aquela não era eu.

As lampadas do quarto em que eu me encontrava estavam apagadas, sendo ele iluminado apenas pela bruxuleante luz fraca da Lua. Olhei pela janela, na esperança de alguém vir me salvar daquele pesadelo, ou de simplesmente poder acordar e descobrir que tudo não passara de um sonho... mas é claro que isso não aconteceu.

Vozes ecoavam em minha mente de maneira perturbadora, como se eu revivesse o doloroso momento em que fizera a pior coisa da minha vida. Eu não podia suportar aquela visão, aquelas lembranças, aquela culpa. Sabia que tudo estava arruinado e eu já não tinha a menor esperança de que as coisas se revertessem. Eu havia errado, não tinha ninguém do meu lado e as lágrimas presas insistiam em cair devagar, ao invés de simplesmente derramarem-se rapidamente e acabar com minha agonia.

Meu coração, se é que eu ainda tinha um, batia agressivamente em meu peito e eu sentia que faltava muito pouco para ele explodir. Na verdade, seria melhor assim.

Pela primeira vez em muito tempo, eu preferi a morte. Tentei gritar, mas a voz não saía... Então eu desabei no chão, com a certeza de que meu reinado havia acabado e de que eu havia perdido o meu grande amor.


Escrito por Letícia Lemos




Máscara

Sexta-feira , 01 de Outubro às 17h53

D izem que o olhar pode mesmo dizer mais que mil palavras, embora agora eu não tenha certeza.

Meus olhos apenas entregam o falso, o que todos acham que é verdade. Distribuo sorrisos a todo momento, e as pessoas acreditam que isso seja sincero. É como uma máscara, que mostra aos outros aquilo que eu deveria estar sentindo.

Um 'eu' exterior sorri a todo momento, mas meu corpo inteiro chora. Até mesmo aqueles que julgam me conhecer muito bem são enganados pela máscara, mesmo que esta esteja tão mal colocada.

Canso ter que fingir estar sentindo o que não estou. Canso de ter que sorrir quando não tenho essa vontade. Mas parar agora não é a solução.

Às vezes, quando me perguntam se eu estou bem e eu afirmo que sim, tudo que eu queria era alguém que visse através das minhas palavras roucas e me abraçasse com um pesar sincero, por saber que não é isso que sinto. Não desejo que as pessoas passem a adivinhar coisas. Apenas que não achassem que eu estou sempre tão bem, porque não estou.

Quando minha máscara acaba escorregando um pouco, e parte da minha tristeza vem à tona, não quero que digam que eu mudei por não estar tão contente quanto todos os dias. Até as pessoas mais fortes passam por momentos ruins, em que tudo que precisam é sentir as lágrimas escorrendo pela pele, e o alívio momentâneo que essa ação causa.

Nunca pedi para que as pessoas permanecessem para sempre do meu lado, porque eu sei que o 'pra sempre' um dia acaba. Eu peço apenas que, enquanto elas estejam comigo, não digam coisas que possam me magoar mais do que já estou magoada. Pior do que ouvir que você mudou, é saber que isso pode mesmo ser verdade.


Escrito por Letícia Lemos




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