Perda

Sexta-feira , 23 de Dezembro às 16h41

V ocê foi a minha maior perda. Eu queria acreditar que minha vida seguiria, com ou sem você, mas isso não era verdade. Cada segundo do meu dia era dedicado a pensamentos ao seu respeito e, ai meu Deus, eu via você em todos os lugares.

A saudade, eu entendi naquele momento, era suportável quando ficávamos longe um do outro. Eu sabia que te veria amanhã – ou quem sabe depois, mas aconteceria. A perda me mostrou que a saudade tem ainda mais a ver com dor do que eu imaginava.

É agonizar a cada segundo que não estás presente; é desejar um consolo que ninguém jamais poderia dar.  É precisar do seu toque, da sua presença; e mais ainda, saber que eles jamais serão meus de novo. É seguir a vida sem quem antes fazia com que esta fosse perfeita; é até mesmo te ver, mas sem poder tocá-lo, sustentando a dor com um sorriso distante de quem não se importa. É experimentar novos beijos, procurando em outros o que eu só via em você. É mentir para mim mesma, saber, e ter que suportar.

Enquanto meu sofrimento vinha à pele e ao coração, o seu sequer parecia existir. Sua felicidade era visível, seu sorriso jamais se dissolvia: sua vida seguia como se eu jamais estivesse nela. Sua indiferença – se fingida, fez-lo muito bem - machucava ainda mais do que deveria. Tão egoísta. 

Fui obrigada a continuar minha vida, sem qualquer resquício de esperança de que ela ainda existia por completo. Mas continuei, e hoje vivo.

Vivo agora, porque deixei de viver há muito tempo por alguém que tampouco se importava. Vivo como se o ontem não tivesse existido, e vivo bem. 

Eu não sou a mesma de antes – e eu realmente não queria que fosse. Sou um eu novo, melhor ou não. Isso eu descubro com o tempo.

Mas eu nunca pude negar, e quem perguntar, certamente vai ouvir a verdade: você foi, sim, uma enorme perda. 

Perda de tempo.

 


Escrito por Letícia Lemos




Siga

Segunda-feira , 05 de Dezembro às 18h52

E i, garota. Não fique assim. Sorria, você é maior que tudo isso. Você está com tanto medo assim de estar servindo apenas de curativo? Ah, garota, não seja tão boba. Não tem nada melhor que um curativo. A gente sempre sente menos dor quando está com um. 

Te entendo ainda, menina, eu sempre entendo. O pior do curativo é que uma hora a gente tem que se livrar dele. Quando a ferida sara, sabe? E aí dói. 

Mas, minha querida, seja forte. Erga sua cabeça e siga em frente. Eu sei que é difícil, mas eu juro que isso passa. 

Você é uma pessoa boa, e é bem mais forte do que pensa. A gente nunca sabe o quanto é forte até que a gente precise ser. Hoje você precisa. 

Eu sei que tem vezes que a gente perdoa a pessoa só porque a falta que ela faz é ainda maior que o erro que ela cometeu, mas pensa de novo. Aprende a se perdoar primeiro. E vai vivendo. Porque não adianta você pedir pela volta de alguém se não consegue perdoar seus próprios erros. Garota, seu maior erro foi ter amado.

Não se culpa por isso não, a culpa não foi sua. Você foi feliz enquanto o tempo permitiu isso. E agora acabou.

Agora, garota, agora você segue. Sem cabeça, sem rumo, sem esperança. Vá pegando tudo isso no caminho. 

Mas vai seguindo.

 


Escrito por Letícia Lemos




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