Não sei

Quarta-feira , 25 de Janeiro às 18h03


D escobri que não sei. 

Não sei quantas vezes eu julguei alguém por continuar insistindo em alguém que errou. Não sei o quanto eu aconselhava as pessoas a terminarem uma relação ruim e as achava patéticas quando não faziam isso. Não sei quantas vezes falei com alguém sobre o amor e realmente pensava saber alguma coisa. Eu não entendia.

Talvez eu realmente não soubesse o quanto isso é doloroso. Digo, o amor. 

Eu não sabia como era amar uma pessoa e logo se ver magoada por ela. Não sabia, principalmente, como agir quando isso acontecia. Uma ironia patética, onde você precisa de tempo para pensar, você precisa ser consolada, mas não quer que isso seja feito por mais ninguém que não seja – quem diria? – aquele que te magoou.

Nunca havia passado tanto tempo sofrendo com ciúmes, pensando no quanto teria uma vida vazia se perdesse aquele alguém. Eu nunca havia tido minha auto segurança tão abalada. Não, eu nunca havia passado por isso. 

O quanto eu sou forte, dá pra ver. Fazia muito tempo que eu não chorava, havia muito tempo que algo não me abalava tanto. Hoje, eu passo noites em claro por besteira.

Vi minha vida virar de cabeça pra baixo por causa de um sentimento que eu pensava já conhecer, pensava que saberia lidar quando ele chegasse de novo. É realmente estranho quando você percebe que cada amor é único ao seu modo.

Aqueles conselhos que eu tanto ofereci, que eu sabia que funcionariam, não aplico em minha vida. Por que? Porque eu amo. E sei o quanto isso é complicado demais para conselhos. Complicado demais para que se tenha algo a dizer. Eu não entendo o que antes eu pensava entender. Nunca soube o que era, que forma tinha, porque doía.

Amar deve ser isso: não saber. Eu nunca soube.

E talvez ainda não saiba.


Escrito por Letícia Lemos




Vazia

Quinta-feira , 12 de Janeiro às 23h01

T u acordou meio sozinha hoje, que eu sei. Olhou pro lado e não viu ninguém, deixou teus membros caírem flácidos na cama vazia. Estava só. Mais só do que merecia.

Prendeu seus cabelos enrolados em um rabo-de-cavalo mal feito, daquele jeito que ele odeia. Só pra provocar. Saiu destemida na rua, com uma postura forte que desabou no primeiro banco da primeira praça. Não era você; jazia fraca.

Garota, ouve bem o que eu tenho pra te dizer: chora.

Essa dor aí, você sabe que não é nem de longe a maior que já teve. Mas ainda assim dói, não é? Machuca fundo. Então faz assim: deixa ser.

Assume que ta doendo, ta tudo bem. Sinta a ferida, e chore. Agarre as cobertas com a dor que por muito você escondeu dentro de ti: deixa sair. 

Depois, junta tudo e manda embora.

Escuta só: ele não merece mais um pensamento seu sequer. Você sabe, eu sei. Agora assume e deixa ir. 

Tu amou por tempo demais. Não achou mesmo que fosse ser pra sempre, achou? Tudo bem, não se sinta mal por isso. Passou. Deixe ir.

Pense que é melhor agora, tu sozinha, do que tão mal acompanhada. Clichê, mas real. No final, dá sempre na mesma. Só aprende que amar nunca dá certo.

O amor nunca dá certo. 

Mas não é por isso que tu tem que desistir, garota. Ainda é jovem demais pra isso. Vive teus romances. Vive tua vida. Segue recuperando tuas forças, sonhando além do que este rapaz poderia te proporcionar. Ele nunca foi bom o bastante pra você.

Olha no espelho e vê quem é a única pessoa que pode realmente te fazer feliz.

Agora vai.

 


Escrito por Letícia Lemos




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